Estudo mostra que setor no país poderá viver dias de consolidação |
O setor de energia no Brasil ainda não está no divã, mas já vive um grande dilema. Pelo menos é esse o diagnóstico da consultoria alemã Roland Berger em seu estudo recém-concluído. Feito inicialmente com 300 companhias do mais diversos países do mundo, o levantamento da consultoria mostrou que ou as empresas instaladas no Brasil conhecerão um cenário de crescimento e consolidação entre 2007 e 2010 ou terão pela frente, de novo, os tempos de crise e estagnação, velhos conhecidos da época do racionamento de energia de 2001.
António Farinha, consultor da Roland Berger no Brasil, explica ao Valor que a escolha de um dos caminhos virá por meio de uma conjugação de fatores. São combinações entre a expansão, regulação, o papel do estado e a estrutura empresarial no país. Mas o fato é que, ao contrário do Brasil, o setor de energia no mundo é considerado estável, completa o executivo.
Na verdade, a versão brasileira do estudo da Roland Berger é também uma extensão do levantamento feito internacionalmente, que contou com a participação de grupos do país. Em linhas gerais, a consultoria reuniu dados de 300 companhias mundo afora, cuja receita anual ultrapasse os US$ 600 milhões. Desse total, depois, foram selecionadas 191 empresas.
Nossa meta era identificar os grupos que têm as melhores performances, obedecendo a um crescimento do volume de negócios e a uma rentabilidade sobre o capital investido, explica Farinha. Portanto, como resultado, o levantamento da Roland Berger mostrou que há 40 companhias no mundo com esse nível de excelência. E desse total, 10% estão localizadas na China, 15% na Oceania e em outros países da Ásia, 45% na Europa, 20% na América do Norte e 10% na América do Sul, com grande participação de grupos brasileiro. O levantamento mantém os nomes dos participantes em sigilo. |
Thomas Kunze, sócio da Roland Berger no país, lembra ainda que o estudo também não deverá se resumir em uma única edição. Pelo contrário. A idéia é atualizar o levantamento sob o ponto de vista numérico a cada ano e em termos de comparação qualitativa de dois em dois anos. No Brasil, faremos as duas atualizações a cada 12 meses, assegura Kunze.
A Roland Berger é uma das cinco maiores consultorias do mundo, com um faturamento anual de 530 milhões de euros. Desse total, contudo, 10% vem das Américas, 25% da Ásia e o restante é obtido na Europa. Além disso, a companhia tem 35 escritórios em 25 países, sendo que fisicamente está instalada somente no Brasil em toda a região da América Latina.
As avaliações mostraram que as 40 companhias de ponta no setor tiveram crescimento do seu faturamento de 19,4% entre 2002 e 2005. Já o retorno médio sobre o capital investido desse seleto grupo foi de 15,2% no mesmo período. Somente para se ter uma idéia do que isso significa, as companhias energéticas piores colocadas no levantamento da Roland Berger registraram um crescimento no faturamento de 5,5%, entre 2002 e 2005. E o retorno médio sobre o capital empregado dessas empresas foi de 6,6% no mesmo período.
O levantamento mostrou que as empresas com melhor performance tiveram uma visão estratégica antecipada e uma gestão de portfólio mais ativa. Além disso, tiveram excelência na operação, conclui Farinha. Para o consultor da Roland Berger, o grupo que estiver no topo da performance e conseguir reunir essas três características no futuro vai consolidar o setor de energia no mundo. E isso vale para o Brasil. |